OS ASPECTOS NEGATIVOS MAIS DESASTROSOS PARA OS ESCRITÓRIOS

OS ASPECTOS NEGATIVOS MAIS DESASTROSOS PARA OS ESCRITÓRIOS

02/03/2016

Por Pedro Borges

Para que uma empresa se decida pela interrupção ou término dos serviços do escritório de advocacia existem critérios eliminatórios — como os éticos e essenciais ao ofício — assim como problemas que lentamente degradam a relação até que o corte seja realizado. Atualmente o comentário mais relevante na manutenção do escritório por parte dos jurídicos das empresas está atrelado está nos esforços reais do escritório compreender seu negócio, para que assim a parceria com os advogados internos seja a mais produtiva possível. No entanto, para esta matéria optamos por nos ater aos problemas dessa relação ao invés dos diferenciadores positivos.
Numa tentativa de identificar o que é mais valorizado pelos departamentos jurídicos e bancas de advogados, o FDJUR e a GEJUR realizaram quatro pesquisas com o título ‘Principais Razões que Levam um Cliente Corporativo a Dispensar os Serviços de um Escritório’ (2009, 2011, 2012 e 2016). Na edição de 2016 o resultado foi o seguinte:
Departamentos Jurídicos:

Escritórios de Advocacia:

Quanto estabelecemos um padrão comparativo com as outras três edições da pesquisa, conseguimos identificar certos padrões que contam um pouco sobre a passagem dos últimos sete anos no mercado jurídico corporativo nacional.
Alto Custo: A discrepância entre o terceiro lugar entre os escritórios de advocacia e oitavo entre os departamentos jurídicos é explicável pelo grau de atenção dado ao assunto por cada grupo, e não é que os jurídicos corporativos não se preocupam com o dinheiro, muito pelo contrário, mas o orçamento (para não dizer a sobrevivência) das bancas depende destes valores. Pelo olhar corporativo, uma vez acertado o preço, o assunto só volta ao topo das discussões em eventuais renegociações causadas por elementos externos à sua vontade, pois enquanto for percebido que o serviço vale o preço pago, o custo se torna a última das preocupações, a não ser que uma crise possa fazer rever sua contabilidade.
Dificuldade no Contato com a Gerência Sênior: A preocupação maior entre os departamentos jurídicos (sexto lugar) do que entre os escritórios (oitavo lugar) significa que o assunto atinge mais ao primeiro grupo que o segundo, o que é previsível, mas ao mesmo tempo serve de alerta para que as bancas mantenham um certo controle sobre este aspecto se desejam oferecer o melhor serviço possível. Entre os departamentos jurídicos esse critério estava em oitavo lugar em 2009 e 2012.
Falta de Ética e Profissionalismo: Esteve em primeiro lugar nas edições anteriores entre os departamentos jurídicos e desta vez ficou em segundo. Entre os escritórios de advocacia, já esteve em terceiro (2011) e quarto (2012), mas este ano ficou em segundo lugar. Caracteriza-se por ser um critério eliminatório, que uma vez identificado (ou simplesmente percebido sem qualquer confirmação) pode colocar um fim nas relações, tornando-se um aspecto absoluto e não gradual, diferente de todos os outros pontos comentados.
Falta de Resposta: Por ser uma versão mais radical que a ‘Dificuldade no contato com a gerência sênior’, é uma preocupação maior e mais frequente nos departamentos jurídicos (segundo lugar) e escritórios (terceiro lugar), pois como ‘resposta’, não se trata apenas de contatos, mas da ausência de presteza e poder de solução que impactam muito no tratamento dos processos. Pelo olhar dos departamentos jurídicos, esse critério tem a ver com transparência, capacidade de prover informações e inclusive alinhamento com as necessidades da empresa, pois ela procura quem reaja sem consulta prévia quando o assunto é defender seus interesses. No passado esse já foi um critério menos importante para os departamentos jurídicos, mas atualmente são cada vez mais exigidos.
Falta de Resultados Desejados: Bem atrás da ‘Falta de respostas’, ficando em quinto e sexto lugares para departamentos jurídicos e escritórios, respectivamente. Para este critério em especial as pesquisas não mostram nada de mais interessante, uma vez que estão sempre no meio da lista, mas isso nos abre espaço para destacar que os resultados desejados podem ficar desalinhados se os dois lados não tomarem cuidado (especialmente as bancas), pois o que é mais importante para um cliente pode não ser para outro, mesmo que todos estejam buscando ascensão e evitando prejuízos. Quando se solicita que se “conheça o negócio da empresa” há um pedido expresso para que os escritórios tentem observar com os olhos dela o que seria mais valioso.
Incapacidade de Cumprir os Diversos Objetivos: Em antepenúltimo lugar nos dois grupos está um desafio já superado há alguns anos, tanto em função dos avanços da tecnologia como na introdução de princípios de administração e engenharia na rotina produtiva de escritórios e departamentos jurídicos. Na medida que nos tornamos mais multitarefa, a superação desta dificuldade já se tornou uma comodidade.
Inépcia ou Falta de Atenção em Assuntos Críticos: Em terceiro lugar aos olhos dos departamentos nas quatro edições da pesquisa, esse critério parece ter diminuído a atenção nos escritórios de advocacia, cuja posição caiu desse mesmo terceiro lugar para a quinta posição em 2016. Mas essa queda não ocorre por desleixo, e sim pois o mercado jurídico é tão inclemente com esse tipo de fracasso que a seleção natural fez com que se permitisse dar atenção a outros critérios.
Má Qualidade nos Trabalhos Jurídicos: Em primeiro lugar nos dois grupos, o ofício essencial do advogado não pode jamais deixar de ser bem executado por uma razão muito simples: quando não é bem feito com uma constância mínima, os prejuízos começam a se acumular a olhos vistos e não há como culpar qualquer outra causa senão a falta de capacidade do próprio escritório. Junto com a falta de ética, esses são dois critérios mais importantes avaliados em todas as edições desta pesquisa.
Sobrecarga de Atividades: Em último lugar em quase todas as edições e nos dois grupos, a sobrecarga de atividades é uma constante que nem sempre aponta qualquer falta de qualificação do escritório, muito pelo contrário. Escritórios com sobrecarga de atividades são valorizados por mostrar que todo o tempo está sendo investido no trabalho, e mesmo assim as melhores bancas não deixam de ser eficientes, algumas até se revelando mais produtivas com esse ritmo de produção abusivo. Infelizmente esse é uma falha que se tornou virtude nas últimas décadas pelo o olhar corporativo, pois o único prejudicado individualmente é o advogado, obrigado a cumprir métricas de produtividade mais espartanas, ou seja, mais severas e impiedosas.
Uma crítica bastante comum por parte das empresas em relação aos escritórios está na dificuldade de trabalhar com conceitos como indicadores de performance e eficiência financeira. Aqueles que conquistam esse diferencial têm sucesso garantido, pelo menos no olhar dos profissionais dos jurídicos in house. O clichê de que o escritório deve ser “uma extensão do departamento jurídico” é uma forma não muito feliz de dizer que é preciso conhecer os benefícios e dilemas para que se tenha foco para evitar e enfrentar os problemas do seu mercado. Ou seja, quanto mais especializado, mais bem visto será o escritório, mesmo que não seja o mais eficiente.

Fonte – FDJUR e a GEJUR

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